Data-centric é a abordagem que coloca os dados no centro dos processos, dos sistemas e das decisões de uma empresa. O software e o modelo de IA deixam, nesse caso, de ser o ponto de partida. Quem sustenta a decisão passa a ser a qualidade do dado disponível.

O termo ganhou força nos últimos anos, puxado pelo avanço da inteligência artificial dentro das empresas. Muita gente, ainda assim, confunde o conceito com uma simples atualização de sistema.

Essa leitura, contudo, deixa de lado o ponto central. Trata-se de uma mudança de prioridade na forma como a organização trata sua informação.

Neste conteúdo, vocês vão entender o que caracteriza essa cultura. Vão ver, também, em que ela se diferencia de abordagens centradas em modelo e como aplicar esses princípios na prática.

O que é data-centric?

Data-centric é a cultura que prioriza o dado sobre o software, o aplicativo ou o modelo de IA escolhido pela empresa. A lógica de decisão muda de lugar dentro da organização. A escolha do sistema, afinal, passa a vir depois da definição de qual dado sustenta aquela decisão.

Essa mudança de prioridade está, na prática, conectada à forma como a empresa estrutura sua arquitetura de dados para marketing. Essa base técnica sustenta qualquer cultura orientada a dados.

O que significa ser data-centric na prática

Na prática, ser data-centric envolve três mudanças concretas na rotina da empresa: a informação passa a ser tratada como ativo de negócio, as decisões se baseiam em fatos comprovados e as barreiras entre sistemas isolados começam a cair.

Valorização da informação como ativo

Dados passam a ser tratados como um recurso com valor real de negócio, no mesmo patamar de outros ativos da empresa. Isso muda, na prática, a forma como cada área lida com planilhas dispersas e informações não documentadas.

Historicamente, essas informações ficavam à margem da estratégia. Esse é justamente o princípio que sustenta iniciativas de BI aplicado ao marketing: transformar dado bruto em inteligência acionável.

  • Dado passa a alimentar indicadores de performance formalmente definidos
  • Cada área documenta e organiza suas informações com padrão comum
  • Investimento em qualidade de dado passa a ter linha própria no orçamento, com prioridade real

Decisões baseadas em fatos

Decisões baseadas em fatos usam informações reais e métricas coletadas para guiar inovações e estratégias de negócios. O peso da intuição isolada, dessa forma, diminui nas escolhas estratégicas.

Esse é o núcleo do conceito de BI para tomada de decisão. A análise, nesse modelo, vira etapa obrigatória antes de qualquer decisão relevante.

  • Relatórios e dashboards substituem estimativas informais
  • Metas passam a ser definidas com base em histórico real de performance
  • Erros de decisão ficam mais fáceis de identificar e corrigir com rastreabilidade

Integração entre áreas e quebra de silos

Dados integrados circulam entre áreas da empresa, sem ficar presos em um único sistema isolado. Isso elimina, dessa forma, retrabalho e informações conflitantes entre setores.

Esse é, aliás, um dos motivos pelos quais estratégias de RevOps ganharam espaço nos últimos anos, unindo marketing, vendas e sucesso do cliente em torno de uma base de dados comum.

  • Vendas, marketing e atendimento compartilham a mesma fonte de verdade
  • Times deixam de operar com números diferentes para a mesma métrica
  • Novas ferramentas se conectam ao ecossistema existente, sem criar mais um silo

Data-centric ou model-centric: qual a diferença?

Data-centric prioriza a qualidade e curadoria dos dados que alimentam um sistema. Model-centric prioriza o ajuste e a sofisticação do modelo ou algoritmo em si, mantendo o dado praticamente fixo. As duas abordagens surgiram no contexto de inteligência artificial e machine learning.

A lógica, contudo, se aplica também à forma como uma empresa organiza sua tecnologia de forma mais ampla.

CritérioData-centricModel-centric
Foco principalQualidade, curadoria e consistência do dadoArquitetura, ajuste e sofisticação do modelo
O que muda com mais frequênciaO dado é revisado, limpo e enriquecido continuamenteO modelo é retreinado ou substituído com novas versões
Ponto de partidaDiagnóstico da base de dados existenteEscolha do algoritmo ou arquitetura de IA
Ferramentas típicasPlataformas de anotação e curadoria, como Label Studio e CleanlabFrameworks de treinamento e ajuste de modelo
Onde costuma trazer resultado mais rápidoEmpresas com dado mal estruturado, fora do universo técnico de ciência de dadosTimes com base de dados já madura e equipe especializada em ML

Essa escolha aparece na prática quando a empresa decide investir em governança de IA e qualidade de dado, como base, antes de qualquer adoção de ferramenta mais avançada.

Para a maior parte das empresas fora do universo técnico de ciência de dados, a abordagem data-centric costuma trazer resultado mais rápido. A maioria dos problemas de sistemas de IA vem, afinal, de dado mal estruturado.

Como estruturar uma cultura e arquitetura data-centric

Estruturar uma cultura data-centric exige alinhar liderança, integrar áreas técnicas e de negócio, adotar ferramentas de curadoria de dado e acompanhar a transformação de forma contínua.

Alinhe liderança e mentalidade da empresa

A mudança de mentalidade começa pela liderança. Só quem tem poder de decisão consegue, de fato, destravar orçamento e prioridade para reorganizar processos internos.

  • Liderança comunica a mudança como prioridade estratégica que atravessa toda a empresa, com peso semelhante ao de outras iniciativas centrais do negócio
  • Um responsável por dado é nomeado em cada área crítica, criando ponto de contato direto para dúvidas e prioridades
  • Investimento em dado passa a constar no planejamento orçamentário anual, com meta própria

Integre TI e áreas de negócio em torno de uma única fonte de verdade

T.I e áreas de negócio precisam operar com os mesmos dados e as mesmas definições. Divergência de números entre setores costuma ser, aliás, o primeiro sinal de que a cultura data-centric ainda não amadureceu.

  • Padrões, regras e nomenclaturas de dado ficam definidos em conjunto entre T.I e áreas de negócio
  • Reuniões periódicas entre times técnicos e comerciais revisam divergências de número antes que virem problema
  • Métricas centrais passam a ter definição única, documentada em um dicionário de dados acessível a todos

Use ferramentas de curadoria e qualidade de dados

Ferramentas específicas de curadoria ajudam a padronizar, limpar e rotular dados antes que eles alimentem sistemas de IA ou dashboards de gestão.

A diferença entre uma estratégia data-driven que gera resultado e uma que apenas reporta números está, exatamente, nesse cuidado com a qualidade da base antes de qualquer análise.

  • Plataformas de anotação, como o Label Studio, organizam e rotulam dados de forma padronizada
  • Bibliotecas de qualidade de dado, como o Cleanlab, identificam inconsistências e erros de rotulagem
  • Rotinas periódicas de limpeza evitam acúmulo de dado duplicado ou desatualizado

Mapeie os dados e acompanhe a transformação

Mapear os dados existentes revela onde estão as informações da empresa, em que formato e com que nível de qualidade. Isso acontece, idealmente, antes de qualquer decisão sobre novas ferramentas.

  • Cada fonte de dado é catalogada por área, formato e responsável
  • Indicadores de adoção acompanham o avanço da mudança ao longo do tempo
  • Ajustes de rota acontecem com base em feedback real das equipes envolvidas

Quais os benefícios de uma cultura data-centric para o negócio

Uma cultura data-centric melhora a confiabilidade da informação, fortalece a segurança dos dados e acelera a tomada de decisão em toda a empresa.

  • Confiabilidade: informação consistente e disponível para todas as áreas, sem risco de perda por falha isolada de sistema
  • Segurança: estrutura integrada facilita identificar e proteger dados sensíveis, reduzindo exposição a vazamentos
  • Praticidade: acesso rápido à informação, de qualquer lugar, sem depender de um único sistema centralizado
  • Democratização: equipes de diferentes níveis conseguem consultar e interpretar dado dentro de suas permissões, sem depender exclusivamente de T.I

Data-centric vai crescer nas empresas nos próximos anos?

Sim. O crescimento de sistemas de IA generativa nas empresas está acelerando a adoção de práticas data-centric. A qualidade desses sistemas depende, afinal, diretamente da qualidade do dado que os alimenta.

Uma pesquisa da Bain & Company, em sua 4ª edição, divulgada em 2025, mostrou que 67% das empresas brasileiras já colocam a inteligência artificial entre suas cinco prioridades estratégicas. Para 17% delas, a IA já representa o principal destino de investimento.

Esse movimento reforça a urgência de organizar a base de dados que sustenta qualquer iniciativa de IA. Investir em modelo sem cuidar do dado, dessa forma, tende a gerar resultado limitado.

Esse cuidado com a base de dados também influencia diretamente o ROI de projetos de inteligência artificial. Esse ROI costuma ser maior quando a empresa já opera com um mínimo de maturidade em dados antes de investir em IA.

Como a Layer Up ajuda empresas a estruturar uma cultura orientada a dados

Estruturar uma cultura data-centric envolve mais do que escolher uma ferramenta. Exige, por isso, governança, arquitetura de dados e alinhamento entre áreas de negócio.

Aqui na Layer Up, atuamos com BI e governança de dados para ajudar empresas a organizar essa base antes de qualquer investimento maior em automação ou inteligência artificial. Conectamos, sempre, a estrutura de dados ao resultado comercial que ela precisa gerar.

Se estruturar dados como ativo estratégico faz parte dos próximos passos da sua empresa, fale conosco e vamos construir esse caminho juntos.

FAQ – Perguntas Frequentes Sobre Data-Centric

Data-centric é o mesmo que data-driven?

Os termos são próximos, mas não idênticos. Data-driven descreve decisões baseadas em dados no dia a dia. Data-centric vai além. O dado, nesse sentido, se torna ativo estrutural, responsável por organizar toda a arquitetura de sistemas e processos da empresa. Essa organização ultrapassa as decisões pontuais do dia a dia.

Toda empresa precisa de uma cultura data-centric?

Empresas de qualquer porte, de fato, se beneficiam de organizar melhor seus dados. A intensidade do investimento, porém, varia conforme a complexidade das operações e o volume de informação gerado. Negócios que já usam ou pretendem usar inteligência artificial tendem a sentir esse benefício de forma mais direta e mais rápida.

Quanto tempo leva para implementar uma cultura data-centric?

O prazo, de fato, varia conforme o tamanho da empresa e a maturidade atual dos dados, mas os primeiros resultados de organização, ainda assim, costumam aparecer entre três e seis meses. A consolidação completa da cultura, incluindo mudança de comportamento das equipes, costuma levar de um a dois anos.

Quais ferramentas ajudam a estruturar uma abordagem data-centric?

Plataformas de anotação e rotulagem de dados, bibliotecas de qualidade e limpeza de informação, e sistemas de BI para visualização fazem parte do conjunto básico de ferramentas. A escolha específica depende, no fim das contas, do volume de dado, da maturidade da equipe e dos sistemas já usados pela empresa.

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